FELIZ E SAN TA PÁSCOA

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FELIZ E SAN TA PÁSCOA
BOLETIM
UNIVErSITÁRIO
FELIZ E SANTA PÁSCOA
Nº 03 - ABRIL - 2011 :::::
UNIVERSITAS
Pág.
02
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
“sciat ut serviat”
As mortes e a destruição provocadas pelo
tsunami no Japão, nesses últimos dias,
nos lembraram a nossa condição humana
de pessoas limitadas e sujeitas ao mal e à
dor. Condição triste, da qual procuramos
incessantemente uma explicação.
Na realidade, ela existe, embora, talvez, não
queiramos aceitá-la.
O ser humano não foi criado para sofrer.
O anseio de felicidade que palpita no seu
íntimo o declara. Ele mesmo, ao longo de sua
história, criou e continua a piorar esta triste
situação, desrespeitando a vontade do Criador
na profanação da vida. E é por isso, inclusive,
que ninguém pode mudá-la. Deus respeita a
vontade do homem, também na sua maldade!
Todavia, Ele, na sua bondade, por ser Amor (1Jo
4, 8.16), vendo os seus filhos nesse estado de
degradação e sofrimento, decidiu salvá-los.
Esse plano de amor, de salvação, foi preparado
por séculos e começou a ser realizado, para toda
a humanidade de todos os tempos, com a vinda
de Cristo, que é o mesmo Deus, que se tornou
homem. Parece fábula, mas não é!
Cristo, no entanto, não veio eliminar o
sofrimento, que entrou no mundo pelo abuso
da liberdade humana, mas renovar a pessoa
no seu espírito, no seu íntimo, e libertá-la da
morte, ressuscitando-a, no fim dos tempos,
para a vida eterna.
O mesmo Jesus um dia disse: Eu sou o caminho,
a verdade e a vida, que conduz ao Pai, que leva
à realização da felicidade humana (Cf. Jo 14, 6).
Com efeito, pela sua vida, morte e ressurreição,
nós recebemos:
primeiro, de sua palavra e seu testemunho
A PESSOA
HUMANA
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de vida, o conhecimento do caminho que, com
ele, devemos percorrer para nos realizarmos
alcançando a felicidade. Qual é esse caminho?
“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”
(Jo 13,34). Ele morreu na cruz por nós!
segundo, a verdade sobre Deus, sobre o
homem e sobre as coisas. Ou seja: Deus é amor,
nós somos imagem dele e, por isso, vivemos
para amar, portanto as coisas existem para
realizarmos esse ideal de amor.
terceiro, a sua vida divina - que é o seu amor, o
seu pensamento e vontade - em que devemos
viver no nosso dia a dia em tudo o que
pensamos e fazemos. Um dia ele disse à uma
mulher samaritana: Eu tenho uma água viva
que tira para sempre a sede a quem a beber,
pois ela torna-se nele fonte de vida eterna, de
felicidade (Cf. Jo 4, 10-14).
Enfim, a ressurreição dos mortos. Ele tornou-se
o primogênito entre os mortos. Depois dele,
todos, pela sua ressurreição, ressurgiremos.
A ressurreição de Cristo é a plena realização
e confirmação de tudo isso. Ela nos demonstra
claramente que ele é Deus e, por isso, tudo o
que disse, prometeu e fez é verdade.
Afinal, a vida não teria sentido se permanecesse
um vale de lágrimas e de horizonte fechado.
Com Cristo morto e ressuscitado ela volta a ter
pleno sentido.
Conheçamo-lo, abramo-nos à sua vida divina
de amor, sigamo-lo. Ressuscitado, ele é a luz do
nosso caminho: “Eu sou a luz do mundo, quem
me segue não andará nas trevas, mas terá a luz
da vida” (Jo 8,12).
Pe Antonio Caliciotti
LIBERDADE
RELIGIOSA
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CIENTIFICISMO
Pág.
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EXPEDIENTE
2
(Universidade)
FOCALIZANDO A CULTURA
UNIVERSITAS
O conhecimento é
para o bem integral
da pessoa. Deve
abranger não somente
o científico, mas
também o filosófico
e o teológico, que lhe
permitem discernir
esse bem.
Colaboradores: Arquidiocese de Londrina
Paróquia Sagrados Corações
Gráfica Idealiza
No artigo anterior deste Boletim, depois de uma
breve história da origem e da fisionomia inicial da
Universidade, dizíamos que, desde quando deixou
de ser procura e transmissão do conhecimento
total, isto é, científico e filosófico, ela deixou de ser
Universidade no sentido genuíno da origem.
Certamente alguém poderia dizer que, mudando os
tempos e as necessidades do homem, devem mudar
também as instituições. Correto. Mas o homem,
ontem como hoje, precisa ter a verdade total sobre
o mundo e si mesmo, para poder realizar-se.
A verdade é o conhecimento das coisas.
A verdade é ontológica e lógica.
A verdade ontológica é a coisa enquanto é o que é,
enquanto corresponde ao nome que se lhe dá.
A verdade lógica é a conformidade da inteligência
ao ente, à verdade ontológica, isto é, o julgamento
que está conforme ao que o ente é.
Mas este conhecimento diz respeito não só às
causas próximas, à estrutura e às leis do ente, o que
constitui a verdade científica. Refere-se também à
função última do ente, ao seu valor em relação ao
homem, que é a verdade filosófica. Se reduzíssemos
a verdade somente ao conhecimento da estrutura
e das leis das coisas, para compreendermos o seu
funcionamento e, assim, manipulá-las, estaríamos
dando à verdade científica, como em geral
acontece e como veremos, um caráter ideológico
de totalidade, ao passo que o saber científico é
imparcial.
O conhecimento científico, com efeito, não oferece
nenhum guia, explícito nem implícito, para fins ou
valores. E o mesmo se deve dizer da tecnologia,
que opera toda uma série de meios que se podem
direcionar para as finalidades mais diversas.
O caráter alheio da Ciência e da Técnica em
relação à esfera dos fins e valores constitui
aquela “neutralidade” que, aos olhos de muitos,
representaria um título de mérito para elas, por
revelarem sua independência e autonomia com
relação a preconceitos de qualquer tipo que seja.
Antes, seria nesta neutralidade que reside uma das
principais garantias de sua objetividade.
Certamente o conhecimento científico, em si, deve
E-MAIL: [email protected]
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
ser objetivo, mas a aplicação desse conhecimento
na manipulação das coisas tem necessariamente
uma direção, uma finalidade que, para ser
humanizante, deve corresponder à finalidade,
ordenação e valor das coisas, que nos são dadas
pela verdade filosófica.
Se não reconhecermos a necessidade da verdade
metafísica das coisas, transformaremos a Ciência
em cientificismo e a Tecnologia em tecnocracia;
cientificismo e tecnocracia que são a canonização
da neutralidade da Ciência e da Técnica.
Apenas com o conhecimento científico, o homem
não pode realizar o progresso humano, porque
nem a Ciência nem a Técnica contêm fins ou
valores suficientes para fundamentar a práxis
(e sua neutralidade sublinha precisamente este
fato). Pretender que elas sozinhas constituam
SUGESTÃO
(Cecília Meireles)
SEDE ASSIM – qualquer coisa
Serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre,
Sem pergunta.
Onda que se esforça,
Por exercício desinteressado.
Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.
Também como este ar de noite:
Sussurrante de silêncios,
Cheio de nascimento e pétalas.
Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
Vivendo de nunca chegar a ser.
À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.
Sede assim, qualquer coisa
Serena, isenta fiel.
Não como o resto dos homens.
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
os guias em que possamos confiar para o nosso
comportamento individual e social, é um absurdo.
Somente conhecendo filosoficamente a ordenação
das coisas em relação ao homem, teremos a luz para
o reto agir humano, inclusive para a investigação
científica e a sua aplicação tecnológica, já que a
ciência não nos diz por que é cultivada e a técnica,
por que e como é promovida.
A investigação científica trouxe à humanidade
um progresso deslumbrante, mas justamente
por ser um conhecimento parcial, esse progresso
não foi humanizante, isto é, não contribuiu para a
realização total do homem e de todos os homens.
Foi e é um progresso puramente material, de uma
minoria e, sob muitos aspectos, prejudicial.
A Universidade, se quiser continuar a ser o
templo da verdade como era no início e, por
isso, causa de verdadeiro progresso humano e
de desenvolvimento, deve voltar a investigar e
transmitir a verdade não somente científica, mas
também filosófica sobre o homem e sobre as
coisas. A Filosofia, fonte da verdade dos princípios
supremos, dos quais derivam os princípios diretivos
de todas as ciências, formadora do juízo e do espírito
crítico e criador, deve presidir a Universidade.
Somente assim voltaremos a ter a formação integral
da pessoa humana, como afirmava também Max
Scheler. (Continua)
:::Pe Antonio Caliciotti
Graduado em Filosofia, Teologia e Pedagogia
Mestre em Teologia Moral
Mestre e Doutor em Filosofia Social
Professor de Filosofia, Sociologia, Metodologia e
Estudo do Homem Contemporâneo
“NÃO COMO O RESTO DOS HOMENS”
Vozes destoantes a ecoar no deserto. Eis a realidade dos que se propõem, neste
mundo desvairado e incoerente, a divulgar os verdadeiros valores humanos. Tidos
como ingênuos e descontextualizados, esses “beatos” não são, porém, felizmente, os
únicos a enaltecer a conveniência da adoção e do exercício desses valores. Abraçam
esse ideal – embora por outros caminhos – também grandes poetas.
Afinal, é no recolher-se em oração (comunhão com o transcendente), no abrir-se
para a necessidade do outro (fraternidade) e no fazer poético (sentimento de mundo
comunicado por meio da palavra filtrada pela emoção e originalidade) que o homem
sublima-se, toma plena posse de sua condição de criatura privilegiada, roçando o
divino e distanciando-se da precariedade que o atrela às demais espécies animais.
Nesses versos de Cecília Meireles, o eu-poético pinça dos reinos vegetal, mineral e
animal as figuras por meio das quais – pelo crivo metafórico – convida perpetuamente
seus interlocutores, dispersos por imposição do tempo e do espaço, a exercitar
a GRATUIDADE DOS GESTOS (flor, onda), a DISPONIBILIDADE despreconceituosa
PARA COM O PRÓXIMO (lua), a HUMILDADE QUE DISPENSA APLAUSOS (ar da noite),
a ACEITAÇÃO DA MISTERIOSA CONDIÇÃO HUMANA (pedra, nuvem, boi, camelo), a
BUSCA CONSTANTE DE CRESCIMENTO e AUTO-SUPERAÇÃO (pássaro, cigarra).
É notável o contraste entre a leveza sugerida pelas figuras da flor, das pétalas, da
nuvem, da cigarra, ao longo do poema, e a palavra “RESTO”, que “pesa” na acepção
pejorativa de “o restante, o grosso da humanidade”, “o restolho”, reduzida à mera
noção de quantidade, oposta à preferível noção de qualidade (do que é preciso porque
raro) do que busca novos horizontes, nadando contra a maré do individualismo, do
toma-lá-dá-cá, sabedor de que não é isso que faz feliz o ser humano.
Bem comparando, não é essa – por acaso – a proposta de atitude evangélica? Não
lembra a bem-aventurança relativa à mansidão, receita para colorir o estéril oceano
do comodismo, da pretensa auto-suficiência, da arrogância e do hedonismo que
caracteriza o “resto dos homens?”
Ceci Aparecida Boretti Maschietto
Professora de Língua Portuguesa
3
O QUE
SIGNIFICA
AMAR
Semântica
O Termo “amor” tornou-se, hoje, uma
das palavras mais usadas e mais
abusadas, à qual associamos significados
completamente diferentes.
Em toda a gama de significados, porém,
o amor entre o homem e a mulher,
no qual se envolvem corpo e alma
indivisivelmente e na expectativa de
uma felicidade à primeira vista parece
irresistível, sobressai como arquétipo de
amor por excelência.
A pergunta que nos fazemos é: “Em que
consiste o amor?”
Eros e ágape – Diferença e unidade.
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Ao amor entre o homem e a mulher, que
não nasce da inteligência e da vontade,
mas de certa forma impõe-se ao ser
humano, a Grécia antiga deu o nome de
Eros, ao passo que o Cristianismo, que
tem uma nova compreensão do amor, o
exprime com a palavra ágape.
O mundo pré-cristão - os gregos e de
forma análoga outras culturas também
- vira no Eros, o prazer do sexo: prazer
intenso, um estado físico e emocional
que arranca o ser humano das limitações
da sua existência dando-lhe a impressão
de experimentar a mais alta beatitude,
um espécie de inebriamento divino,
de loucura dos deuses e, por isso, de
comunhão com eles. Isso a ponto de ser
O amor não é
somente gostar
do outro ou se
aproximar dele por
qualquer interesse.
Amar é querer o
bem verdadeiro
do outro, querer
que ele viva e viva
cada vez melhor
material, física e
espiritualmente.
traduzido em cultos de fertilidade, aos
quais pertence a prostituição “sagrada”,
que prosperava em muitos templos.
Virgílio, nas Bucólicas, afirma: “Omnia
vincit amor – o amor tudo vence”, e
acrescenta: “et nos cedamos amori –
rendamo-nos também nós ao amor”.
Certamente entre o amor e o Divino existe
uma relação, porque Deus é amor. Mas
ela acontece não se deixando subjugar
simplesmente pelo instinto e criando
formas de culto sexual, que é uma
perversão da religião. Nele as prostitutas
eram simples instrumento de prazer,
pessoas humanas de quem se abusava.
Para que o Eros adquira qualidade de
ato humano de verdadeiro amor, não
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
permaneça simplesmente ato animal, não seja degradação do
ser humano e se torne comunhão com Deus, precisa de disciplina,
de domínio, de purificação. Somente assim deixa de ser prazer
de um instante e se torna uma amostra daquela felicidade para
a qual tende todo o nosso ser. Essa catarse não é rejeição do eros,
mas reveste o amor de sua verdadeira grandeza.
Com efeito, o ser humano é corpo e alma. Nele nem o espírito
ama sozinho, nem o corpo: é o ser humano, a pessoa como
criatura unitária. Por isso, o eros reduzido a puro “sexo”, a um
simples ato biológico, vira mercadoria, torna-se uma “coisa” que
se pode comprar e vender; antes, é o próprio ser humano que se
torna mercadoria, exploração.
Ao contrário, a fé cristã sempre considerou o ser humano
um ser unidual, em que espírito e matéria se compenetram
mutuamente. Os seus atos, especialmente o amor, devem ser
expressão desta sua unidade de pessoa humana: brotar do
espírito e se manifestar através de gestos e atos fisicos.
No livro do Cântico dos Cânticos, do Antigo Testamento, no qual
se exalta o amor conjugal, encontram-se duas palavras distintas
para designar o “amor”. Primeiro, aparece a palavra dodim, um
plural que exprime o amor ainda indeterminado, em fase de
procura e de caráter egoísta. Depois essa palavra é substituída
por ahabà, que, na versão grega, é traduzida pelo termo, de som
semelhante, ágape, que se tornou o termo característico para a
concepção bíblica do amor. Em contraposição ao amor anterior,
ainda em fase de procura e egoísta, esse vocábulo exprime o
FIQUE
POR
DENTRO
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
amor que é descoberta do outro, cuidado um para com o outro.
Nesse amor altruísta, o indivíduo já não busca a si próprio, não
procura a imersão no inebriamento do prazer individual; procura,
ao invés, o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao
sacrifício, antes procura-o.
Ademais, no amor entre o homem e a mulher, dá-se a evolução
desse sentimento para níveis mais altos, delineia-se seu caráter
definitivo, que é o sentido da exclusividade – dirigido apenas a
essa única pessoa – e “para sempre”. Esse amor compreende a
totalidade da existência, inclusive a temporal.
Sim, o amor é caminho, êxodo permanente do eu fechado em si
mesmo para a sua libertação no dom de si e, dessa forma, para
a compreensão de si mesmo, da finalidade de sua vida e, mais
ainda, para a descoberta de Deus: “Quem procura salvaguardar a
sua vida, perdê-la-á, e quem a perder, conservá-la-á” (Lc17,33),
disse Jesus. Foi o seu caminho da cruz que o levou à ressurreição:
o caminho do grão de trigo que cai na terra e morre e, desse
modo, dá muito fruto. Com tais palavras Jesus descreve a
essência do amor.
A ágape torna-se, assim, luz, purificação, desenvolvimento e
complementação do eros, tornando-o amor verdadeiro. E, como
tal, ele se torna impulso vital de amor entre o homem e a mulher
na união exclusiva e indissolúvel.
:::Mercedes dos Santos Rosa
Graduada em Direito e História
1. FERIADO DE CORPUS CHRISTI
de 23 a 26 de Junho de 2011
ENCONTRO UNIVERSITÁRIO EM
CAMPOS DO JORDÃO-SP
TEMA: A SANTA MISSA
Contato: [email protected]
2. MISSA COM OÁSIS
DATA: 30 de Abril de 2011 - 17:00 h
Local: Universiflat III – Rua Delaine Negro, 90
Contato: [email protected]
ACESSE NOSSO BLOG:
valoresecultura.blogspot.com
5
colocados para imitação dos outros? Porque foram
seres humanos que viveram o amor, deram os frutos
de uma vida de respeito, de doação, de justiça, de
bondade, de perdão e de paz.
A vivência que devemos ter nos é indicada pela
própria natureza que, com as suas inclinações, nos
indica os bens (boas ações) que devemos praticar
para nos realizarmos.
Quais são essas inclinações da natureza humana,
cujos bens, para os quais elas tendem, realizam
o homem?
São três:
a primeira, é conservar e desenvolver a própria
existência. Todos querem viver e viver cada vez
mais plenamente.
a segunda, é reproduzir-se para continuar a espécie.
Quem não quer ser pai ou mãe?
a terceira, é conhecer a verdade sobre Deus e viver
em sociedade. Esta terceira é característica do ser
racional e é fundamental para toda pessoa.
Essas inclinações nos levam a deduzir onde está o
bem que devemos praticar e o mal que devemos
evitar, quais são os verdadeiros valores ou a lei
natural que deve guiar o nosso pensar e agir. Em
outras palavras, a mensagem ética, a norma moral,
o que é bom e que nos deve dirigir, está presente em
nós, na nossa natureza.
Essa mensagem, naturalmente, é mensagem de
amor, a qual, com efeito,foi colocada pelo Criador,
que é Deus amor. E foi colocada no ser humano,
que, por ser “imagem de Deus”(racional), é
chamado a viver no amor.
Ela indica a estrada da bondade que devemos
percorrer:
- cultivar a vida, nossa e dos outros, como ato de
agradecimento a Deus, que no-la deu, e de amor
a nós mesmos e ao próximo;
- colaborar com Deus na procriação de outros seres
humanos; o que deve ser visto como privilégio,
responsabilidade e ato de doação aos outros. De
modo que o matrimônio e a família devem ser
realizados como ideal de amor;
- enfim, cumprir o nosso dever de agradecimento
a Deus por tudo o que somos e temos, convivendo
com os outros – que são todos filhos de Deus - em
fraternidade.
O Evangelho - que é a revelação da lei natural, que
Cristo veio nos dar de maneira clara, para que não
errássemos na sua interpretação - sintetiza-se
exatamente na vivência do amor: “Amai-vos uns
aos outros como eu vos amei” ( Jo 13,34), isto é,
dando a vida por nós.
Ética, então, é viver agradecendo a Deus pela vida,
no respeito e amor a nós mesmos e aos outros.
O EVANGELHO
DA ALEGRIA
ÉTICA
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Ética, do grego éthos, significa costume,
comportamento. É sinônimo de Moral, do latim
mores, costumes.
O que mais uma pessoa deseja na sua existência é
ser feliz. O que torna feliz é o bem. E o único bem
– todos o percebemos – é a vida. A felicidade é
a vida plena. Somente ela nos pode oferecer um
verdadeiro e pleno contentamento, oposto ao
sofrimento, causado na pessoa e na sociedade
por eventos funestos e ações más, prejudiciais à
vida. Viver de maneira ética significa, pois, pensar
e agir de tal modo que possamos - em tudo o
que fazemos e nos diversos acontecimentos e
circunstâncias - cultivar a vida, nossa e dos outros,
física, material e espiritualmente, com respeito,
bondade e carinho.
A Ética, diziam os “estóicos gregos”, é a arte de
viver. A pessoa vive com arte quando procura
viver no bem, no cultivo pleno da vida humana
(física e espiritual), porque arte é tudo o que leva
a viver melhor. Uma pintura, uma escultura, tudo
o que se diz artístico, é realmente tal se servir
para o bem da vida das pessoas.
Assim como a arte, expressão física do pensamento,
é feita de estudo e ação, a Ética também, enquanto
arte de viver, comporta conhecimento contínuo e
prática do que é realmente bom e melhora a vida,
nossa e dos outros.
Um sábio dizia que dentro dele latiam e lutavam
dois cachorros, um bom e outro mau. Perguntado
sobre qual dos dois vencia, o sábio respondeu:
“Aquele que alimento melhor”. (Anedota dos
índios norte-americanos).
Alimentar a Ética significa dedicar-se ao
conhecimento do bom e viver nele. Aristóteles,
na “Ética a Nicômaco”, diz que “o bom é aquilo
que todos procuram”. E todos, consciente ou
inconscientemente, procuram saber o que eles
são como pessoas e como devem viver para serem
felizes..
O que é a pessoa humana? É um animal racional.
A sua racionalidade não é matéria, como o corpo,
mas espírito, que provém da natureza de Deus,
daquilo que Deus é: Espírito perfeito. É, pois,
“imagem de Deus” (Gn 1,26-27): inteligência e
vontade, capacidade de pensar e de querer.
Essa espiritualidade confere ao homem uma
dignidade divina, que merece todo respeito e o
coloca como fim e acima de tudo o que é terreno.
Torna-o também imortal - a morte não consegue
destruí-lo no seu espírito – e, enfim, coloca a
sua realização e a sua felicidade não nas coisas
materiais, incompletas e passageiras, e, sim,
na sua fonte criadora, em Deus, naquilo que
Ele é: Amor ( 1Jo 4, 8,16). De fato, se o homem
é imagem de Deus - que é e vive no amor - ele
também existe para viver na bondade e é nela que
se realiza e será feliz.
Por que os Santos (pessoas extraordinariamente
boas) alcançaram a realização, a felicidade, e são
:::Pe Antonio Caliciotti
Graduado em Filosofia, Teologia e Pedagogia
Mestre em Teologia Moral
Mestre e Doutor em Filosofia Social
Professor de Filosofia, Sociologia, Metodologia e
Estudo do Homem Contemporâneo
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01
A festa do carnaval é uma oportunidade
de meditarmos sobre a alegria. O ser
humano é a única criatura que tem a
capacidade de sorrir. Tão grande é o
poder do sorriso que abre mil portas.
Sorrir é gesto de amor, que favorece
a comunicação e torna o ambiente
agradável e prazeroso.
As bem-aventuranças são o evangelho da
alegria, o código da felicidade, a ética da
realização humana. Jesus é nossa alegria
porque perdoa os pecados, liberta os
pobres, cura feridas, propõe horizontes
novos, trouxe a melhor noticia – o amor
de Deus e vence a morte.
Tão atraente é a alegria que os apóstolos
sentam-se alegres por sofrer pela fé em
Jesus Cristo. Por outro lado há uma alegria
que o mundo não pode tirar, ou seja, a
ressurreição do Senhor, a certeza do céu
e a segunda vinda do Salvador. A oração é
fonte de alegria, o perdão suscita alegria,
o bem é o caminho da alegria e o dever
cumprido faz brotar a alegria, que é dom.
S. Francisco de Assis falava da perfeita
alegria que consiste em não perder
a serenidade e a paz nas injurias e
humilhações. S. Felipe Neri cultivou a
espiritualidade da alegria através do bom
humor e de coisas engraçadas para fazer
os outros rirem e se alegrarem.
Alegria não é barulho, algazarra, gritaria,
bebedeira, extravasamento. Alegria é
dar sentido às coisas, ter profundidade,
cultivar soluções e esperanças. Quanta
alegria vem da misericórdia que consiste
em pedir perdão e ajudar os necessitados.
Deus é amor e humor. Quanto bem
fazem os artistas, os palhaços, os que
promovem a alegria. Deus ama a quem
doa, ajuda, partilha com alegria. Deus é
amor e humor. O filho pecador é recebido
pelo Pai com alegria e festa.
Para o apóstolo Paulo a alegria era a
comunidade unida. Pede que os cristãos
trabalhem com alegria, evangelizem
com alegria, perdoem com alegria,
vivam o cotidiano com alegria. Ele sente
alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas
perseguições, nas necessidades porque
nestas fragilidades ele percebe a força da
graça e o poder de Deus. O reino de Deus
é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Recomendava sempre: “alegrai-vos com
os que se alegram”.
O Documento de Aparecida tem um
capítulo sobre a alegria de ser discípulo
missionário. Fala de sete alegrias: alegria
de sermos imagem e semelhança de
Deus, fonte de nossa dignidade, a alegria
de sermos chamados à vida, a alegria da
convivência na família, a alegria que vem
do trabalho como serviço à sociedade,
a alegria das descobertas da ciência, a
alegria do bem comum, a alegria de a
América Latina ser o continente da fé e
do amor.
Maria, mãe de Deus, é causa da nossa
alegria. Ela recebeu o titulo de Nossa
Senhora do Sorriso. Santa Terezinha
transformou sofrimentos e tristezas
em alegria. Elegeu a criança, o Menino
Jesus como inspiração da alegria. Quer
passar o céu fazendo o bem na terra.
Nosso Deus é o Deus da alegria que no
entardecer de nossa vida dirá aos que
praticam o bem: “entra na alegria do teu
Senhor”. Cantemos ao Senhor com hinos
de alegria.
Reza o salmista que “quem semeia entre
lágrimas, recolhe a cantar”. E ainda, Deus
transforma desertos em fontes, farrapos
em trajes de festa, espadas em enxadas.
Até rios, campos, montanhas batem
palmas porque tudo transborda de
alegria. Eis, pois o evangelho da alegria.
Mais impressionante ainda é o profeta
Sofonias quando afirma que “nós somos
a alegria de Deus”. É bom lembrar a cada
instante: “eu sou a alegria de Deus” e esta
alegria é a nossa força.
:::Dom Orlando Brandes
7
?
POR QUE A CIÊNCIA
NÃO PODE TER
A ÚLTIMA PALAVRA
8
O conhecimento científico trouxe e, com certeza,
ainda trará inúmeros benefícios à humanidade. Mas
a sua hegemonia, como a do naturalismo científico,
está proporcionando-lhe uma liberdade perigosa,
cujas consequências são imprevisíveis.
Devemos, então, nos perguntar: Qual é a finalidade
da ciência e da tecnologia?
A vida humana é o único bem que existe. Portanto,
bom é o que a favorece, mau o que a prejudica. Com
efeito, quem de nós quer ser prejudicado na vida?
Ninguém!
Então a ciência e a técnica também devem estar a
serviço da vida humana, da sua promoção, do seu
bem autêntico.
Diante desta verdade fundamental devemos
necessariamente ponderar sobre a periculosidade
à qual nos pode conduzir o progresso da ciência,
do qual nós usufruímos, se ele não for procurado
e colocado unicamente a serviço do bem do ser
humano. Esse é o grande perigo do positivismo
científico, isto é, da ciência que se torna indiferente
em relação aos valores humanos.
Um dos graves problemas da atualidade é mesmo
essa pretensão da ciência que, arbitrando sobre as
esperanças que suscita, aspira a construir e fornecer
o sentido da vida. Hans Magnus Enzensberger
observara que ela apresenta mais dilemas que
soluções e que são propriamente as ciências mais
jovens, como a biologia, as mais propensas a
manifestar aquele vício típico da adolescência e da
juventude que é a mania de grandeza.
Bento XVI, depois de ter exaltado os prodigiosos
progressos conseguidos pelas ciências experimentais,
nos adverte que “não se pode circunscrever
completamente a identidade do ser humano e
fechá-lo no conhecimento científico”. Ele vai sempre
além daquilo que dele se vê ou se percebe através
da experiência. É preciso unir à pesquisa científica
a pesquisa filosófica e teológica. Esta mostra que o
ser humano não é fruto do acaso e nem sequer de
um conjunto de convergências, de determinismos
ou de interações psicoquímicas, mas goza de uma
liberdade que, embora tenha presente a sua natureza
física, transcende-a e manifesta que existe nela algo
também imaterial, espiritual e, por isso, inalcançável
cientificamente, e que lhe permite relacionar-se com
os outros e com Deus.
A ciência não pode ser, pois, a única forma válida de
conhecimento. Ela é competente somente no campo
cognitivo das ciências empíricas, quer dizer, num
campo de conhecimento parcial, que deve integrarse com aquelas formas de conhecimento oferecidas
pela filosofia e teologia.
E a tecnologia, que deriva da ciência, deve ser
aplicada não simplesmente pelo fato de que existe o
conhecimento fornecido pela ciência, mas porque seu
objetivo primordial deve ser a promoção autêntica
da vida humana. Com efeito, não é a ciência, ou o
simples conhecimento dela, que pode ser o critério
do bem. Ela não tem condições de elaborar princípios
éticos, pode somente acolhê-los em si e reconhecêlos como necessários para corrigir as suas eventuais
patologias. É a teologia, com o suporte da filosofia,
que pode oferecê-los.
Esse é o pensamento também de Bento XVI ao
afirmar que, no campo da ciência e das suas
aplicações, o papel da religião é “corretivo”, consiste
na sua inata capacidade “de ajudar a purificar
e iluminar a aplicação da razão na descoberta
dos princípios morais objetivos”(Cf. Oss.Rom. 19
setembro 2010,4-5)
Quando se sustenta que a ciência pode permitir ao
homem o alcance da verdade dando-lhe condições
de realizar plenamente o seu ser, o saber científico se
torna o seu fim último e se desvirtua na sua natureza
por não se reconhecer simplesmente como mais um
(e não o único) instrumento cognitivo do cosmo e do
homem.
Ademais, toda vez que a ciência é deformada e
profanada, passando - de simples instrumento
científico - a finalidade da vida humana, desligandose de todo valor ético, pode tornar-se base de ações
criminosas, como aconteceu nas mãos de Hitler, na
última guerra mundial, como acontece na realização
do aborto, na proliferação das armas, inclusive
químicas e nucleares.
A fórmula “saber é poder” , grito de alegria da
era democrática e liberal, começa a adquirir um
som lúgubre. A ciência, se não for dirigida por
um princípio superior, cede sem resistência os
seus segredos à técnica desmedida, alimentada e
animada pelo espírito comercial; a técnica, por sua
vez, freada ainda menos que a ciência, por um
princípio superior apto a promover a civilização com
os meios que a ciência lhe oferece, cria todos os
instrumentos que garantam ao mais forte continuar
a esmagar o mais fraco.
O limite além do qual a aplicação do conhecimento
científico torna-se abuso depende de nossa
concepção moral, e esta, por sua vez, é fixada
essencialmente por um ponto de vista moral.
Certamente a ciência, quando não sai do seu
campo de pesquisa, constitui uma preciosa obra de
aumento dos conhecimentos humanos. A atividade
científica constitui, pois, uma obra muito importante
no desenvolvimento de conhecimentos humanos,
que podem e devem melhorar a vida das pessoas,
como já está acontecendo, pelo menos em parte;
ela tem, contudo, os seus limites naturais e deve ter
também aqueles morais que, com a colaboração da
filosofia, a teologia lhe pode e deve fornecer. Esses
limites morais são para ela uma luz, um estímulo e
um corretivo, que lhe permitem ser autêntica, isto é,
estar a serviço da vida humana e nunca prejudicá-la,
seja na pesquisa como na aplicação.
:::Pe Antonio Caliciotti
Graduado em Filosofia, Teologia e Pedagogia
Mestre em Teologia Moral
Mestre e Doutor em Filosofia Social
Professor de Filosofia, Sociologia, Metodologia e
Estudo do Homem Contemporâneo
BOLETIM UNIVERSTIÁRIO : Trimestral : 01